5 Mitos na Amamentação

1 – A mãe que amamenta não pode beber e/ou comer enquanto o bebé mama.

FALSO.

O único cuidado a ter é com a possibilidade de se entornar algum líquido ou alimento. É a única explicação plausível para a origem deste mito.
A mãe lactante deve comer quando tem fome e beber quando tem sede. Fazê-lo enquanto o bebé mama é uma boa forma de obter energia e água suficientes e de ter tempo para o fazer.
Pode ser útil preparar pequenos snacks saudáveis (como frutos secos, etc.) e água, deixando-os em locais estratégicos da casa, para ir comendo e bebendo quando está a amamentar.

2 – A mãe que amamenta não pode comer vários alimentos porque o bebé pode rejeitar a mama / ficar com cólicas.

FALSO.

A mãe lactante deve fazer uma alimentação equilibrada, variada, saudável – tal como se recomenda para toda a população. Excluir alimentos da dieta, arbitrariamente, não é saudável nem recomendado.
Se um alimento que a mãe consome parece provocar cólicas (e outros sintomas) ao bebé, tal dever-se-á a uma alergia/intolerância alimentar da criança. Se suspeitar que o seu bebé reage a algum alimento que consome (normalmente leite de vaca e derivados), experimente retirá-lo da alimentação por 2 semanas, observar reações no bebé e voltar a introduzir, observando reações. Se notar alterações no bebé, converse com o médico assistente.
Cada vez mais se pensa que as “cólicas” têm a ver com stress neurológico e emocional – pela adaptação ao meio extrauterino – e não tanto com perturbações gástricas.

3 – Se o leite materno parece aguado, isso significa que não alimenta o suficiente / é fraco.

FALSO.

A menos que a mãe esteja em estado de desnutrição severo (o que não acontece num país como o nosso), a proporção de macronutrientes (gorduras, proteínas, hidratos de carbono) que constituem o leite materno maduro (após o 1º mês do bebé) não varia muito de mulher para mulher, nem ao longo do tempo que durar a amamentação. A proporção de macronutrientes é totalmente adequada ao bebé humano e garante o seu desenvolvimento e crescimento harmoniosos.
Os componentes imunológicos, hormonais, enzimáticos, etc. são os que variam mais.
Todos os mamíferos produzem leite apropriado à sua própria espécie, pelo que não faz sentido comparar a cor, consistência, etc. do leite materno com a de outros mamíferos. Ou seja, o leite materno não tem que ter uma cor branca homogénea – como o leite de vaca que consumimos em casa, que passou por processos industriais para ter aquela aparência.

4 – É normal ter dor nas primeiras semanas. Os mamilos precisam de “ganhar calo”.

FALSO.

A dor nas primeiras semanas de amamentação é um problema comum, mas não pode ser visto como normal/tolerável, pois é uma das principais causas de desistência da amamentação. É possível que haja ligeira sensibilidade/desconforto nos primeiros dias, sem que isso represente um problema, devido às alterações hormonais da gravidez e pós-parto.
No entanto, convém estar atenta aos seguintes SINAIS DE ALARME:
1) dor intensa, excruciante;
2) dor que se prolonga por toda a mamada;
3) dor presente entre mamadas e/ou sensibilidade dolorosa ao toque nos mamilos;
4) dor que se prolonga para lá da primeira semana;
5) coexiste com lesões na pele do mamilo e/ou aréola;
6) manifestam-se alterações no mamilo (forma, cor) após a mamada (exemplo: mamilo esbranquiçado e/ou achatado, com formato de batom, após o bebé mamar).
Existe sempre uma ou mais causas para a dor! Procure ajuda para perceber qual o(s) motivo(s) e a melhor solução para si e o seu bebé.

5 – Amamentar depois de X meses já não é benéfico.
(O X normalmente assume um qualquer valor a partir de 6 meses)

FALSO.

A amamentação é o padrão-ouro de alimentação do bebé e criança. O aleitamento materno é a normalidade. O leite humano não perde nutrientes ou outras propriedades (como factores imunitários) ao longo do tempo.
A Organização Mundial de Saúde recomenda 6 meses de leite materno em exclusivo (sem água, chás, sumos, outros leites ou alimentos) e, pelo menos, 2 anos em conjunto com outros alimentos.
Esta recomendação é válida para todo o mundo!

Em breve, as 5 questões mais frequentes na amamentação!

Filipa dos Santos

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